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Daniel Rainey vem ao Brasil para Jornada de Online Dispute Resolution

Equipe da D'acordo Mediações participa do evento

Por Mariana Faria | Comunicação D'Acordo Mediações dia em Blog

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O incremento de tecnologia à resolução de conflitos não se trata de uma revolução disruptiva, mas sim de um processo natural de evolução. Na declaração inaugural de sua palestra, o professor Daniel Rainey, um dos precursores da Online Dispute Resolution no mundo, refutou a dicotomia clássica estabelecida entre a atuação presencial e a on-line, cujo efeito, diante de um cenário de mudanças, tem sido o de gerar temor nos profissionais, que passam a enxergar a tecologia como ameaça ao invés de oportunidade. Em visita pela primeira vez ao Brasil, Rainey atendeu ao convite do Instituto de Certificação de Mediadores Lusófonos (ICFML) e do Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem (CONIMA) para participar da I Jornada de ODR. O evento foi realizado nos dias 06 e 07/11 no SindusCon em São Paulo. 

Na perspectiva de Rainey, resolver conflitos significa gerenciar de forma eficiente um fluxo de comunicação, que, em razão da disputa entre as partes, foi interrompido. As tecnologias da informação e comunicação (TICs), portanto, cairiam como uma luva para atingir o objetivo de retomada do diálogo. Para o professor, os mecanismos de ODR devem ser desenhados para permitir que o usuário se sinta confortável em uma sala virtual para expor as suas questões e tenha acesso a informações que possam ser relevantes para a solução da controvérsia. Essa forma automatizada de lidar com disputas não amplia necessariamente o acesso à justiça, mas tem potencial para criar um sistema que seja, de fato, privado. Isso vai depender se a ODR conseguirá despertar a confiança de quem está descrente com a morosidade da justiça tradicional.

Daniel Rainey vem ao Brasil para Jornada de Online Dispute Resolution

Profesor Daniel Rainey na I Jornada de ODR.

Convidado a fazer parte da mesa de debates, Daniel Arbix, diretor jurídico do Google no Brasil e autor do livro Resolução Online de Controvérsias, afirmou que a credibilidade dos mecanismos de ODR, a ponto de representarem uma alternativa viável aos tribunais, depende de uma preocupação genuína com os custos, procedimentos e resultados. Arbix defendeu que é essencial para quem utiliza esse novo modelo privado de justiça on-line ter a percepção de que o processo todo foi realizado de forma transparente e justa.

A discussão também contou com a participação de Ricardo Dalmaso Marques, gerente jurídico de resolução de disputas do Mercado Livre, site de compras e vendas brasileiro muito similar ao americano eBay. Na visão de Marques, a ODR tem potencial para contribuir com a democratização do processo civil, tornando-o acessível a mais pessoas. Essa posição foi reforçada com dados da própria empresa em que trabalha. De acordo com ele, os consumidores que têm algum problema na compra de produtos no Mercado Livre e procuram resolvê-lo de forma on-line alcançam um alto indíce de êxito, sendo 99% dos casos solucionados de forma imediata pela plataforma. Entretanto, cerca de 40% desses usuários ainda não optam por essa alternativa simplificada de solução de conflitos e apelam diretamente ao Poder Judiciário.

A ODR e o acesso à justiça, as possibilidades para os advogados e as possíveis áreas de aplicação foram alguns dos temas debatidos na I Jornada de ODR, que foi seguida de um masterclass com o professor Daniel Rainey para uma turma formada por mediadores e advogados. A equipe da legaltech D'acordo Mediações, que desenvolveu o seu próprio modelo de ODR com um Totem e Plataforma de solução de conflitos, esteve presente no treinamento.

Daniel Rainey vem ao Brasil para Jornada de Online Dispute Resolution

Masterclass de ODR com o professor Daniel Rainey.

Com viés mais prático, voltado para o desenvolvimento de plataformas de ODR, o professor Rainey deu dicas de como transpor a prática da mediação presencial para o ambiente on-line. Ele disse que o primeiro critério que precisa ser avaliado pelo mediador antes de optar pela utilização da ODR é se a tecnologia trará algum benefício para a solução do conflito em questão. Se as partes estiverem distantes geograficamente ou não dispuserem de tempo, a ODR pode ser uma execelente alternativa. Além disso, o terceiro neutro precisa se preocupar com a segurança dos dados e confidencialidade do processo.

Em relação à técnica do mediador quando ele atua virtualmente, o professor destacou que é preciso afastar os ruídos de comunicação, sendo mais assertivo e direto, principalmente na comunicação por texto. Recorrer a técnicas de resumo da informação fornecida pelas partes e de feedbacks pode ser uma saída para evitar problemas de interpretação que resultem em uma escalada do conflito. Além disso, Rainey destacou que é relevante ter um treinamento específico em linguagem corporal quando se atua por videoconferência.

Sobre o futuro da ODR, o professor declarou ser um otimista. Primeiramente, assistimos à ODR performar enquanto software que possibilitava a resolução de disputas on-line. Depois, com a ajuda dos algortimos, tornou-se possível a pacificação de conflitos a partir de escolhas dispostas em uma árvore de decisão. Por fim, a ODR chega aos tribunais oferecendo diversas possibilidades com processos de machine learning e inteligência artifical. Em um tempo não muito distante, Daniel Rainey acredita que o mediador humano terá a assistência de um mediador virtual que lhe dará dicas precisas sobre o melhor caminho a seguir. Substituiremos a intuição por dados.

Quer saber mais sobre as habilidades do mediador 4.0? Então, leia o artigo que a gente preparou.

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