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CEO da D'acordo concede entrevista para o portal de notícias Eu, Rio!

Emanuelly Castro faz balanço da atuação da legaltech de Online Dispute Resolution

Por Autor convidado dia em Blog

CEO da D
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Por Marcos Nahmias*

O consumidor insatisfeito com um produto ou serviço prestado tem de esperar 2 anos e 6 meses por um desfecho do caso quando decidir colocar uma empresa na Justiça. Esse é o tempo médio para um processo chegar até a sentença nas varas estaduais de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Atualmente, são mais de 80 milhões de processos em trâmite no Brasil.

Com o objetivo de prevenir conflitos e acelerar a resolução de casos na justiça, a legaltech D'Acordo Mediações, empresa de tecnologia no segmento jurídico, desenvolveu ferramentas que empoderam consumidores e empresas para a realização de acordos sem muita demora. A solução é on-line, imediata e sem processos.

Uma dessas inovações é o Totem, um canal de comunicação moderno e eficiente que torna possível a negociação on-line. Ao chegar nos Juizados Especiais Cíveis ou nos Procons para fazer uma reclamação ou ajuizar uma ação, o consumidor é convidado a buscar primeiro um acordo. 

Sobre o assunto nos conversamos com Emanuelly Castro, CEO da D'Acordo Mediações. Confira nossa conversa!

Talk com Marcos Nahmias: A justiça no Brasil ainda é muita lenta? Por que outras razões além da burocracia?

Emanuelly Castro: São mais de 80 milhões de processos em tramitação no Judiciário para uma proporção de 200 milhões de habitantes. A sociedade brasileira é altamente litigante, qualquer questão vai parar na justiça. Com essa quantidade de processos torna-se muito difícil oferecer resolução de conflitos de forma rápida e eficiente. Hoje as partes têm de esperar no mínimo 2 anos e 6 meses por uma sentença nos tribunais estaduais, de acordo com a última versão do "Justiça em Números", o estudo realizado pelo Conselho Nacional de Justiça. A vida é dinâmica e não pode esperar o tempo dos tribunais. Além da perda de oportunidades, há o custo em si do Poder Judiciário, uma conta paga por todos os contribuintes. Hoje o Brasil gasta 85 bilhões com a justiça.   

Talk com Marcos Nahmias: Como surgiu a ideia da startup D'Acordo Mediações? Quem são os idealizadores? São profissionais de Direito ou de TI ou de ambos? Quantos profissionais envolvidos nesse tipo de negócio?

Emanuelly Castro: A D'acordo surgiu em 2015 da ideia ambiciosa de trazer mais eficiência e celeridade para a resolução de conflitos, especialmente aos casos decorrentes das relações de consumo. Nós aprendemos na prática os prejuízos da morosidade. Nascemos dentro de um grande escritório de advocacia especializado em contencioso de massa, que são as causas repetitivas. A gente viu ali uma oportunidade de fazer diferente. Elaboramos o nosso primeiro produto, que foi o Totem D'acordo, e resolvemos testar um jeito inovador de resolver conflitos. Somos advogados que resolveram aprender novas habilidades com o apoio de uma equipe de TI. Atualmente, temos 10 pessoas no time e estamos contratando, expandindo nossas atividades. Nosso objetivo é desenvolver produtos tecnológicos que possam agilizar a resolução de conflitos, de modo que as pessoas assumam a sua autorresponsabilidade ao invés de delegá-la para um juiz.

Talk com Marcos Nahmias: Há quanto tempo existe o canal de negociação Totem e como funciona na prática?

Emanuelly Castro: O Totem foi o nosso primeiro produto desenvolvido em 2015. O terminal fica posicionado dentro dos Procons e Juizados Especiais Cíveis. Aliás, esse é o nosso diferencial. Somos a única legaltech que atua em parceria com os órgãos de proteção ao consumo, o que garante segurança e confiabilidade tanto para consumidores quanto empresas. A triagem dos consumidores que podem ser atendidos no Totem é feita no momento do atendimento pelo próprio órgão. É a última oportunidade de se tentar a realização de um acordo de forma consensual, sem que seja necessário um processo administrativo ou judicial. A negociação é feita de forma imediata, por videoconferência. Nós oferecemos o acolhimento que o consumidor necessita ao enfrentar alguma demanda de consumo. 

CEO da D

Talk com Marcos Nahmias: Além do canal de negociação Totem que outras plataformas são possíveis para diminuir a lentidão nos processos na Justiça?

Emanuelly Castro: O Totem e outras plataformas digitais de solução de conflitos fazem parte da chamada Online Dispute Resolution (ODR), que significa aproveitar as  vantagens das tecnologias da informação e comunicação para tornar todo esse processo mais eficiente, incentivando o diálogo das partes no ambiente on-line. Já há um estudo da Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ) que mostra de que maneira a resolução on-line de conflitos poderia ajudar a diminuir o número de processos no Brasil e desafogar o Judiciário tratando de forma adequada às demandas de consumo. Nesse sentido, as plataformas privadas de ODR podem contribuir muito. A D'acordo trabalha para isso. Nosso propósito é transformar conflitos em sorrisos, ou seja, pacificar as relações sociais.

Talk com Marcos Nahmias: Como usar a tecnologia na Justiça garantido a segurança de um processo com tanta discussões atuais sobre Fake News e invasões de Hackers?

Emanuelly Castro: Nossa tecnologia é privada e temos uma política de proteção de dados. Tratamos com muita seriedade a segurança da informação. Garantimos confidencialidade e sigilo de dados. É importante esclarecer que a D'acordo, mesmo sendo uma empresa privada, é mais um ator no sistema de justiça, que é multiportas. Se alguém bate no Poder Judiciário por causa de um conflito, há várias alternativas adequadas para a solução do problema. Como a justiça é a solução mais cara, ao custo de 85 bilhões por ano para o contribuinte, deveria ser a última opção, ou seja, o ideal seria incentivar outras formas mais pertinentes para cada caso. Nós atuamos exatamente aí, na prevenção do conflito, antes que ele possa chegar ao Poder Judiciário. Todo mundo ganha em tempo e custo.

Talk com Marcos Nahias: O consumidor reclamante tem a chance de manusear sozinho a plataforma sem a ajuda de um advogado ou mediador?

Emanuelly Castro: O Totem é voltado para demandas de consumo e, mesmo se o consumidor não estiver assistido de advogado, ele pode realizar um acordo, pois nos Procons e Juizados Especiais é dispensada a obrigatoriedade de advogado de acordo com a lei. Já a Plataforma tem vocação universal para diversos tipos de conflito, podendo ser utilizada tanto para uma negociação quanto para uma mediação, que envolve a presença de um terceiro neutro que vai auxiliar as partes. Dependendo do tipo de conflito ou se a demanda já estiver judicializada, o usuário irá necessitar do seu advogado, sendo presença indispensável. 

Talk com Marcos Nahmias: O consumidor que não tem habilidade com internet (tecnologia) consegue usar a plataforma? De que maneira?

Emanuelly Castro: Nós desenvolvemos tanto o Totem, que fica dentro de Procon e Juizados, quanto a Plataforma, que pode ser acessada pelo site da D'acordo, de modo que qualquer pessoa possa utilizá-los sem precisar de ajuda. O produto é desenvolvido justamente pensando na melhor experiência do usuário. Se ele não tiver nenhuma habilidade com tecnologia ou internet, basta recorrer ao nosso suporte.

Talk com Marcos Nahmias: Quais os casos e reclamações mais comuns que podem ser resolvidos pela plataforma Totem?

Emanuelly Castro: No Totem, são demandas de consumo em geral, mas a maioria dos atendimentos é voltada para negociações com bancos. A gente presta toda assistência e suporte para o consumidor. Nosso diferencial é oferecer empatia e escuta ativa. O consumidor quer ser acolhido e ouvido quando enfrenta um problema. Na Plataforma, nosso foco inicial são as demandas trabalhistas.

Talk com Marcos Nahmias: Como garantir ao consumidor a segurança de que quem está mediando o acordo é realmente um profissional capacitado para tal? Quem é o profissional que pode mediar um acordo? Tem de ser um advogado?

Emanuelly Castro: O próprio consumidor percebe a diferença e a qualificação do profissional no momento do atendimento. Geralmente, ele já está muito irritado e quer expor o problema enfrentado sem que seja interrompido. Nós garantimos esse espaço de fala e isso é transformador. Nossa equipe de atendimento em negociação é capacitada com técnicas de comunicação não-violenta para que possa gerir o conflito de maneira adequada. Em relação à Plataforma, nós podemos disponibilizar mediadores que fizeram o curso de acordo com as disposições do Conselho Nacional de Justiça. Para se tornar um mediador não há obrigatoriedade da formação em Direito. Isso está disposto na Lei de Mediação.

Talk com Marcos Nahmias: E qual é o perfil do consumidor que procura esse tipo de serviço do Totem?

Emanuelly Castro: Geralmente, são mulheres de 30 a 50 anos que buscam mais os seus direitos. A maioria tem o segundo grau completo e renda entre 2 a 4 salários mínimos. Elas querem resolver o problema e não ficar postergando a solução. Temos uma excelente taxa de adesão perante os consumidores, inclusive também atendemos muitos idosos que não têm experiência com a internet, mas não sentem dificuldades com o Totem porque o processo foi desenhado para ser simples. De cada 10 pessoas atendidas no Totem, 8 querem fechar um acordo. Percebemos que o consumidor não quer perder 2 anos na justiça por causa de um problema que pode ser resolvido em até 5 dias no Totem. A gente atende as demandas que extrapolam o SAC das empresas, pois conseguimos construir uma política de acordos que atenda a todos.

Talk com Marcos Nahmias: Quem precisar usar o serviço pode encontrar onde?

Emanuelly Castro: O Totem está instalado dentro de Procons e Juizados Especiais Cíveis de algumas cidades. Já chegamos aos Estados da Paraíba, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e estamos expandindo. Em breve, teremos novidades. Já a Plataforma é para quem busca comodidade de atendimento e pode ser acessada por qualquer usuário em qualquer lugar, inclusive no Rio de Janeiro, pelo nosso site: www.dacordo.com.br, além de mais informações sobre o assunto no Blog da empresa dentro do site.

*Jornalista e colunista de "Empreendedorismo e Negócios" do portal de notícias "Eu, Rio!", onde a entrevista foi publicada originalmente.

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